
No sistema de justiça brasileiro, os homens ocupam
a ampla maioria dos cargos de poder. A presença de mulheres nessas posições é pequena. A de mulheres negras, menor ainda.
136 anos de existência
172 Ministros:
3 homens negros,
3 mulheres brancas
0 mulheres negras
37 anos de existência
103 Ministros:
9 mulheres brancas
1 homem negro
0 mulheres negras
Mulheres ocupam
24% dos cargos de Desembargador nos TJs e TRFs
31% dos cargos do 3º nível e 32% dos cargos do 2º nível no MPF
39% dos cargos de Procurador
nos MPs estaduais
Por isso, JUSTA, Fórum Justiça e THEMIS mapearam,
a partir de dados públicos, os cargos de poder vitalícios que ficarão vagos nos próximos dez anos com a aposentadoria compulsória de seus atuais ocupantes. Os dados revelam uma janela de oportunidade: uma troca geracional renovará a liderança da justiça.
De renovação na próxima década
+ de
Há tribunais com renovação de 70% de seus membros.
As posições chave do Sistema de Justiça.
Há dois tipos principais de cargos de poder:
Ocupados até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos. Nas carreiras do Judiciário e do Ministério Público, chega-se aos cargos de Desembargador e Procurador por promoção ao 2º grau. No STF e no STJ, os Ministros são nomeados pelo Presidente da República, após aprovação do Senado.
Cargos de gestão, definidos por eleição, com mandatos fixos de dois anos, como as chefias das instituições, as corregedorias e os assentos em colegiados normativos. Também incluem as ouvidorias e as diretorias de escolas de formação.
Toma a decisão final nos conflitos. A iniciativa acompanha os 27 Tribunais de Justiça, os 6 Tribunais Regionais Federais, o STJ, o STF e o Conselho Nacional de Justiça. Nos TJs e TRFs, apenas Desembargadores podem votar e ser votados nas eleições para os cargos de gestão.
Fiscaliza o cumprimento das leis, aciona a Justiça, define quem será processado criminalmente e exerce o controle externo da atividade policial. A iniciativa acompanha os 27 MPs estaduais, o Ministério Público Federal e o Conselho Nacional do Ministério Público.
Responsável por garantir o acesso da população à justiça, atua na defesa de direitos individuais e coletivos. Formada pelas Defensorias estaduais e pela Defensoria Pública da União, não se divide em primeiro e segundo graus. Como sua organização varia nos diferentes contextos brasileiros, merecerá um mapa próprio, que entrará no ar em breve.
Construído a partir de dados públicos, este mapa revela quando e onde cargos vitalícios ficarão vagos em razão de aposentadorias compulsórias dos atuais membros, em 63 instituições de justiça: 27 Tribunais de Justiça, 27 Ministérios Públicos estaduais, Ministério Público Federal, 6 Tribunais Regionais Federais, STJ e STF.
O mapa busca tornar essas oportunidades visíveis e apoiar a participação de mulheres — sobretudo mulheres negras — nessas disputas, além de oferecer informações a quem deseja acompanhá-las.
Última atualização: .
Os dados são revisados mensalmente, com base nas informações disponíveis em fontes oficiais. Tem informações mais recentes ou deseja contribuir para a atualização dos dados? Escreva para justa@justa.org.br.
Cargos de poder vitalícios
Entre todos os cargos de poder vitalícios mapeados (contando Desembargadores, Procuradores e Ministros).
Cargos de poder eletivos
Entre todos os cargos de poder eletivos mapeados (Presidentes de instituições, Procuradores-gerais, Ouvidores, Corregedores, Diretores de escolas de formação).
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL
Em 20 dos 27 MPs
o percentual de Procuradoras de justiça é menor do que o de mulheres na população brasileira (51,5%).
JUSTIÇA ESTADUAL
Nenhum Tribunal de Justiça alcança o percentual de mulheres da população brasileira entre seus Desembargadores.
JUSTIÇA FEDERAL
das Promotoras e Procuradoras trabalham em MPs que pagam menos às mulheres do que aos homens nos mesmos cargos.
é quanto um Procurador ganha a mais do que uma Procuradora por ano, no MP do Rio Grande do Norte.
das Juízas e Desembargadoras estaduais trabalham em TJs que pagam menos às mulheres do que aos homens nos mesmos cargos.
dos pagamentos que superaram R$ 1 milhão, em um único mês, foram recebidos por homens.
Pesquisas



Judiciário e MPS
0% dos Tribunais de Justiça presididos por mulheres
0% dos Tribunais Regionais Federais presididos por mulheres
0% dos Ministérios Públicos Estaduais chefiados por mulheres
STJ e STF
0% dos Ministros do STJ são mulheres
0% dos Ministra do STF são mulheres
Chefe do Ministério Público Federal
chefiou o MPF em 134 anos de história
Conselhos Nacionais
0% Conselheiras mulheres no CNMP
0% Conselheiras mulheres no CNJ
Chefe de Conselhos Nacionais
Conselhos Nacionais chefiados por mulher

O programa Caminhos para Liderança de Mulheres na Justiça oferece um percurso de aprendizagens de 10 meses a mulheres integrantes das carreiras da Magistratura, Ministério Público e Defensoria, estaduais e federais.
A primeira turma vai de agosto de 2026 a maio de 2027.
JUSTA, Fórum Justiça e THEMIS atuaram pela aprovação da Resolução CNJ nº 525/2023, que instituiu ação afirmativa de gênero nas promoções por merecimento para o 2º grau da magistratura. Com a alternância entre listas mistas e exclusivas de mulheres até que sua participação alcance entre 40% e 60%, a política tornou-se um importante paradigma para o Sistema de Justiça. Os primeiros resultados já aparecem: em dois anos, o número de Desembargadoras cresceu 14%, enquanto a magistratura como um todo cresceu 4%.
Seguimos atuando para que os Ministérios Públicos também avancem nessa direção. Com base nos dados de nossas pesquisas, nas obrigações constitucionais e internacionais do Brasil e em boas práticas adotadas em outros países, defendemos, no STF e no CNMP, o reconhecimento constitucional da paridade de gênero, a criação de ações afirmativas e a proteção de iniciativas locais voltadas à promoção da igualdade na progressão das carreiras e no acesso a posições de poder.
Litigância Estratégica
Na ação proposta pela Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica, JUSTA, Fórum Justiça e THEMIS apresentaram ao STF dados da pesquisa “Gênero, Poder e Remuneração nos Ministérios Públicos Brasileiros”, que revelam desigualdades persistentes no acesso ao poder e na remuneração. Com base nas obrigações constitucionais e internacionais do Brasil, defenderam o acolhimento da ação para que o CNMP adote ações afirmativas que assegurem às mulheres igualdade real na progressão a posições de poder no Ministério Público.
Acessar documentoDe iniciativa do presidente do STF, a Consulta buscou reunir propostas para modernizar o sistema de justiça. JUSTA, Fórum Justiça e THEMIS apresentaram dados das pesquisas “Gênero, Poder e Remuneração”, que revelam desigualdades persistentes no acesso das mulheres a posições de poder e na remuneração. Para enfrentar esse quadro, propuseram estabelecer expressamente na Constituição a paridade de gênero, com inspiração em modelos do México e do Quênia, e ampliar para todo o sistema de justiça as ações afirmativas voltadas à progressão nas carreiras.
Acessar documentoApresentada pelo presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, propõe ação afirmativa de gênero para ampliar o acesso das mulheres aos graus superiores das carreiras do Ministério Público. JUSTA, Fórum Justiça e THEMIS apresentaram dados da pesquisa “Gênero, Poder e Remuneração nos Ministérios Públicos Brasileiros”, que revelam desigualdades estruturais na progressão, no acesso aos cargos de poder e na remuneração. As organizações defendem a implementação da medida como necessária ao cumprimento das obrigações constitucionais e internacionais do Brasil e à promoção da igualdade material.
Acessar documentoO Procedimento foi instaurado a pedido de um grupo de promotores de São Paulo contrário à ação afirmativa criada pelo Conselho Superior do MPSP para ampliar a presença de mulheres entre os procuradores de Justiça. O relator suspendeu cautelarmente a regulamentação e votou por sua irregularidade. JUSTA, Fórum Justiça e THEMIS defendem tanto a correção quanto a necessidade da iniciativa do MPSP. Trata-se de medida urgente para enfrentar a desigualdade de gênero e cumprir as obrigações constitucionais e internacionais do Brasil.
Acessar documentoO JUSTA é um centro de pesquisa, design estratégico e incidência que atua na economia política da justiça, analisando a gestão e o financiamento judicial. Revela como a relação do sistema de justiça com outros poderes e com a economia afeta a democracia e a vida de milhões de pessoas.
O Fórum Justiça é uma articulação de integrantes do sistema de justiça, acadêmicos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil comprometidos com a construção de uma justiça democrática e inclusiva, capaz de mitigar desigualdades sociais e combater violações de direitos humanos.